Monday, July 24, 2006

Vai um espelhinho aí?

Quando o homem branco, esperto, chegou nas terras novas - África e Américas - logo descobriu que precisaria de um baú de quinquilharias para "negociar" com os locais, os nativos, gente que trocava ouro por espelhinho, prata90 por colar, diamantes feios, brutos, por vidrilhos lindos, lapidados.

Isso durou um certo tempo, necessário para que os exércitos pudessem se instalar e mandar os locais para... para algum lugar que não atrapalhassem o saque. Dalí para a frente não receberam mais nem o "precioso" vidrilho. Os civilizados carregaram as riquezas existentes no lugar, carregaram até aqueles "quase" gente como escravos; enfim, tudo que tinha algum valor foi levado.

Passaram-se séculos. Os mercados civilizados estavam esgotados; continuar vendendo era preciso, mas para quem? Foi quando alguém teve uma idéia! Vamos globalizar o globo? Vai funcionar assim: de hoje em diante fica decretado que todo mundo vai poder vender espelhinhos para todo mundo.

Os civilizados fabricavam os espelhinhos e os brutos - que gostavam deles - deveriam comprá-los. Era um plano perfeito, a prova de falhas! Surgiu um problema! Não havia mais ouro nem prata, aqueles metais inúteis, muito menos os diamantes brutos e feios. Os brutos - não os diamantes, as gentes - resolveram pagar com produtos agrícolas.

Foi aí que começou a vazar e a murchar a globalização: os civilizados só queriam vender, não queriam comprar agricultura de bruto nenhum. Daí resolveram inventar uma tal de Organização Mundial do Comércio para dirimir as divergências e obrigar os brutos - que também amam, e muito! - a comprarem os espelhos sem venderem seus verdes...

O resultado deu hoje na imprensa:
"Os 149 países membros da OMC terão que se contentar em suspender por tempo indefinido os esforços para instaurar uma nova ordem comercial mundial, após o fracasso nesta segunda-feira em Genebra das negociações entre as seis grandes potências da organização"

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