Sunday, November 05, 2006

Justiça

Estava tentando explicar para alguém - e não estava conseguindo - a diferença entre um julgamento cujo propósito é o de julgar alguém e outro só para condenar alguém. Eu dizia que o resultado obtido, a sentença, pode até ser a mesma, mas que enquanto em um tivemos um julgamento justo, naquele em que o réu foi considerado inocente até prova em contrário, no outro tivemos uma farsa, naquele onde o réu já estava condenado e só foi julgado para dar uma aparência de que houve justiça.

Estou falando do julgamento de Saddan Hussein. E foi no seu julgamento que ocorreu (in)justamente o que eu tentava explicar no primeiro paragrafo deste texto, ainda com o agravante de que a sentença condenatória foi proferida justamente dois dias antes das eleições congressionais norte-americanas - santa coincidência, Batman! - num vergonhoso uso político de uma sentença de morte.

Não julgo o mérito da sentença; não tenho as mínimas condições para tal, como posso avaliar um processo do qual não tomei conhecimento?, e nem é essa a questão invocada aqui. Mas, de plano, fica evidente a injustiça cometida, a farsa (mais uma!, a se somar às armas de destruição em massa fabricadas por Bush para justificar a invasão do Iraque) de se julgar alguém previamente condenado.

Será que consegui o entendimento do que eu queria dizer?

1 comment:

Drica said...

Está no decálogo: "Não matarás". E, pelo que eu saiba, não há ressalva alguma que 'justifique' esse delito.
Deus nos dá a fórmula do bem viver. Pena que não consigamos seguí-la.
Quem somos nós para julgar a quem quer que seja?
Quem somos nós para entender os motivos que levaram alguém a cometer algum erro?
E mais... Se alguém mata outras pessoas e eu tiro a vida dessa pessoa (como forma de 'vingança'), em que sou melhor do que ela?
A vida é fácil, a gente é que complica!!
Beijinhos.