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quarta-feira, setembro 10, 2008

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Fico buscando no meu arsenal filosófico (que, reconheço, é fraco) razões que me motivem para o próximo pleito, no qual escolheremos as futuras administrações municipais. Sou sabedor da importância de se participar, conheço a máxima que apregoa que cada um deve fazer a sua parte, sem se preocupar com os demais.

Mas o meu desencanto é inevitável! Quem, em sã consciência, ignora que aqueles dotados de uma mínima consciência política se constituem numa minoria insignificante no país? Votar, cumprir com o dever - e usufruir de um direito - cívico, pode aliviar a consciência, mas, no fundo, restará um sentimento de impotência diante do quadro avassalador de uma esmagadora maioria politicamente infante.

Nem se pode contar com a esperança de que, pela continuidade do processo, um dia venhamos a contar com uma maioria com a mínima consciência política e que faça a diferença na hora do pleito. Qualquer um sabe que cultura política não se adquire com alfabetização básica, com primeiro grau do ensino fundamental. Se ainda nem temos o mínimo, quando teremos o necessário?

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A manchete e o rodapé da página

A mídia se alimenta do extraordinário, do particular, a realidade é feita do comum, do geral. O particular pode não espelhar o geral, e se foge ao normal, não é a regra, é a exceção. Este caso emblemático - ou midiático - terrível, em que um menino foi arrastado é um exemplo disso que estou falando.

A verdadeira tragédia brasileira se compõe de mais de cinqüenta mil vítimas da violência anual, essa é a regra, é o geral. O horrível caso do menino é exceção; não disponho de informações para emitir um juízo de valor, mas provavelmente foi mais fruto de uma série de trágicos eventos do que um crime premeditado.

O caso choca, agrada a mídia, vende jornal, dá ibope. Infelizmente a verdadeira tragédia permanece fora das manchetes, está quase invisível, lá nas várias, nas continuadas, nas insistentes, nas já usuais notinhas de rodapé que noticiam as dezenas de mortes provocadas pela violência todos os dias.