domingo, dezembro 06, 2009

Loser

Eu tenho pena do técnico de futebol Celso Roth. O cara sabe tudo de técnica, sabe montar um time como ninguém, só tem um grande defeito: perde tudo o que disputa. Esteve no Grêmio e perdeu tudo o que disputou (copa do Brasil, Libertadores, Sulamericana, campeonato Gaúcho e Brasileiro).

No ano passado, conseguiu o feito inédito de perder um campeonato depois de estar com onze pontos de diferença sobre o segundo colocado. Hoje escuto a notícia de que acaba de ser demitido do Atlético Mineiro - que saiu da condição de líder do campeonato para a de sétimo colocado e fora da zona de classificação para a Libertadores da América.

Hoje também ocorre a rodada final do Brasileirão com o discutido jogo final do Grêmio contra o Flamengo. O cinismo correu solto de ambas as partes, dos colorados querendo uma lealdade que não existe e nunca existirá e de alguns gremistas afirmando que a equipe se empenhará para dar o título máximo ao rival (sonho de uma noite de verão).

A polêmica serviu também para desmascarar algo que a maioria já sabe: que a quase totalidade da crônica esportiva do estado é descaradamente colorada. Até acho normal, cada um torce para quem quer, mas não me venham como papos de uma uma neutralidade que não existe.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Sentimentos

O sentir basicamente se opõe à razão. Isso não quer dizer que todo o sentimento seja irracional, mas que todo o sentimento não precisa da aprovação da razão, ou de nenhuma lógica que não seja o do próprio sentir. Essa liberdade é que nos possibilita, por exemplo, gostar de alguém à primeira vista - essa afeição nascida no primeiro olhar resiste a qualquer tentativa de uma explicação lógica que o valide.

Eu costumo dar muito valor aos meus sentimentos. Até mesmo para aqueles sentimentos que invadem o terreno reservado primordialmente para a razão, para a lógica. Gostar por gostar, ou desgostar por desgostar é o típico caso disso que falo. Normalmente uso uma figura metafórica para explicar o inexplicável: digo que tal coisa ou pessoa "não me cheirou bem". É o uso indevido do sentido do olfato.

Pior - ou melhor - é que dificilmente me engano - e não afirmo apenas por retórica, mas baseado nessa minha "inexplicável sensibilidade olfativa" que quase sempre acerta nos seus palpites sobre o caráter da coisa ou pessoa julgada. Assim foi com várias personalidade importantes da nossa época: Bush, Chávez, Lula, Tarso, Delúbio, Dilma e tantos outros mais ou menos cotados.

E é por isso que não vejo com bons olhos o nosso futuro. Como dizem: o que é nosso está guardado, e não é boa coisa. Esperem e confiram...

terça-feira, novembro 24, 2009

Nosso povo e as hienas

Não temos saúde no país, nem educação, muito menos segurança. não temos estradas; em compensação temos corrupção abundante, políticos e governantes ruins e despreparados, empregos que pagam pouco e impostos exorbitantes.

Quando são publicadas essas estatísticas sobre o nível de satisfação da população com o governo e a forma como avaliam nossos governantes eu logo lembro da piada da hiena. Vocês lembram? A hiena é um animal que só come carniça e restos de outros predadores, mantém relações sexuais só uma vez por ano e vive rindo. Ri do quê?


segunda-feira, novembro 16, 2009

A malvada e os bebezinhos

O recente episódio em que uma enfermeira de um hospital gaúcho foi flagrada administrando - sem a competente prescrição médica - calmantes aos bebes do berçário é só mais do mesmo. O assunto ecoou - e não poderia ser de outra forma - como mais um desses fatos que nos atestam o quanto é capaz de atrocidades essa nossa dita humanidade.

Todos se perguntam: - Como é possível que existam pessoas com essa índole? Todos tem razão, é mesmo algo incompreensível e intolerável. O que nem todos perceberam - nem mesmo os que deviam por dever de ofício -, acidental ou intencionalmente, é como é que alguém que trabalha em uma função de tamanha responsabilidade não sofre a mínima fiscalização de quem quer que seja.

Não há indústria nem qualquer atividade organizada que prescinda da figura de um supervisor, de alguém responsável por um controle de qualidade. Dizem que a enfermeira malvada já praticava - ou suspeitam que praticava - as suas maldades há mais de dois anos. Como foi possível a ela retirar remédios da farmácia do hospital sem prestar contas a ninguém?

Se para cuidar de um parafuso, algo que também é importante, pois pode representar futuramente a segurança de algum equipamento, veículo, máquina, existe um rígido controle de qualidade, porque a qualidade do trabalho, do serviço que se presta no cuidado de indefesos bebezinhos não requer a mesma atenção? O mesmo apreço?

São essas coisas que me fazem recordar o que dizia Einstein: "Só há duas coisas infinitas no mundo: O universo e a estupidez humana. E, quanto ao infinito, eu ainda não tenho certeza absoluta".

sexta-feira, outubro 30, 2009

O bem e o mal

Diz o refrão popular: "Para que o mal vença basta que o bem se omita". E esse é o quadro que normalmente enfrentamos na nossa sociedade: a grande maioria se omite em presença do mal. Não é comigo, não tenho nada com isso, não fui, não vi nem ouvi, uma sucessão de negativas para se esquivar ou assumir qualquer tipo de responsabilidade.

Deixamos para que os outros (outros quem?), para que o governo (onde? qual? quem?), para quem de direito, enfim, deixamos para lá... A palavra para isso é omissão. Existe também um sentimento errado: confundimos obrigação de comunicar ou agir diante do que é errado com deleção - e a não delação do que é ilegal, imoral (ou engorda) é estimulada como se fosse algo a ser cultivado e comemorado.

Essa coisa de que existe gente boazinha, bem educada etc e tal é balela. Lamento muito informar, sou um cara viajado, já corri esse mundo e constatei o seguinte: não existe povo ordeiro ou desordeiro, existem os bem policiados e os mal policiados. O que isso quer dizer? Que ninguém (ou a massiva maioria) não faz o certo porque é certo, mas por medo de que seja punido por agir mal.

Nos locais onde reina a impunidade e a omissão, o mal, o crime prospera. Como aqui na nossa terra. Aqui onde as leis são pífias, onde a impunidade reina e onde todos se omitem republicanamente. Se os políticos roubam, se os comerciantes sonegam, se alguém agride, rouba, destrói, enfim, sejam quais forem as maldades, só temos uma resposta: Não tenho nada com isso...


sábado, outubro 10, 2009

Pois é...

Continua a me assustar com a facilidade com que se mente ao nosso povo. Pior! O povo costuma acreditar. A última: o (mau) assessor para assuntos internacionais de Lula, Marco Aurélio (aquele que fez o "top... top top..." para as vítimas do Airbus que se despedaçou com 197 passageiros em São Paulo) Garcia, foi indicado para conduzir a campanha eleitoral da camarada "Estela", a mãe (ou madrasta?) do pac, Dilma Roussef.

Quanto a escolha, tudo bem, eles se merecem em gênero e número, formam um belo par. O problema é a afirmação de que o senhor Garcia irá conduzir a campanha nas suas "horas de folga" - o tipo de coisa que pode ser feita de forma bem amodorística -, sou seja, não irá se desligar da atual função - nem parar de receber o salário - para exercer a outra.

Além de evidente piada de mau gosto (duvido que haja possibilidade de acumular as duas funções, ou seja, o dinheiro dos impostos do povo irá financiar mais essa!) o caso também é mais um exemplo da notável separação entre governo e partido, mais uma atitude "republicana" desse lamentável governo de Luiz Inácio da Silva.

Me engana que eu gosto...

quarta-feira, setembro 16, 2009

There's no Free Lunch

Todo mundo já sabe: “There’s no free lunch”, nada é de graça, tudo tem seu custo. Há pouco tempo a ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) alardeava num comercial o oposto dessa máxima. Se autoelogiava, afirmava que “uma televisão aberta, livre e gratuita era uma das grandes conquistas do povo brasileiro”.

Comercial falso. Nossa televisão é aberta e livre, mas não é gratuita. Todo o show é pago por comerciais, comerciais que vendem produtos, produtos que embutem o custo dos comerciais no preço, preço que todos nós pagamos como consumidores. Logo a televisão aberta não é gratuita, é paga.

Eu não preciso de nenhum boneco vestido de dentista para decidir qual a pasta de dentes que devo comprar no Supermercado. Ou de nenhum famoso ou famosa para ajudar a me decidir por uma determinada marca de sabonete. Dispenso a ajuda, numa boa.

Os comerciais massacram. Inclusive esse da ABERT que nos tira por idiotas.

sábado, agosto 08, 2009

Pau puro

Viver nesse país contínua tão difícil como sempre. Retiradas as ilusões ufanistas resta o de sempre: uma desilusão atrás da outra. Falar da política? Dos políticos? De nós, sábios eleitores? Tentar entender que não há regime que nos corrija ou encaminhe para o bom caminho.

Ando ausente do blog. Justifico: se escrever é um hobby que prezo muito, ele tem me custado caro em saúde e qualidade de vida - muito stress. Confesso que sou mais um desistente. Fui e vou para o pau: minha atenção atual está totalmente voltada para a marcenaria, hobby que me completa e destenciona - No stress!

Não vou abandonar totalmente o blog, não há porque fechar qualquer porta, se não ganho nada escrevendo também não ganharei nada por desistir totalmente de fazê-lo. Escreverei o quê e quando me "der na telha".

Como diz um conterrâneo chato aqui do Rio Grande, voltaremos...

terça-feira, maio 19, 2009

Meu char em perfect word


sexta-feira, abril 17, 2009

Muita bala e pouco tiro...

Na giria policial se diz que quando as coisas andam devagar é "porque não há bala na agulha". Um jargão policial para identificar um imobilismo motivado por falta de recursos materiais e/ou de motivação para a ação. Significa omissão, deixar de cumprir o dever funcional.
Ando assim nesse blog: com pouca motivação para escrever. E o pior é que não é por falta de "bala na agulha". Munição não falta, bem entendido que a minha munição aqui é assunto. Assunto não falta, com certeza. Principalmente para mim, que adoro escrever sobre comportamento, sobre política sobre a nossa brasilidade.
Nossos políticos continuam mais corr..., isso mesmo, você sabe o quê, enfim, mais políticos do que nunca. Nossos governantes continuam contando "marolinhas e histórias da carochinha". Nunca vi se falar tanto em dinheiro, em planos, em obras, sem o componente real respectivo. Ou seja, se fala muito e não se faz nada - ou pelo menos não se vê nada.
Pois é, ando parado, atirando pouco, talvez por cansaço, de ver a inutilidade de continuar lutando numa guerra que já se sabe antecipadamente está perdida. Essa turma de políticos - eleitos pelo povo! - que anda por aí não me deixa mentir...
Como eu digo, nós merecemos.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A mentira politizada

Mentira é mentira. Verdade. Isso é o óbvio e é a lógica que rege a vida dos comuns mortais. Na política nada é tão mentiroso que não possa receber uma maquiagem para passar por verdade. Verdade. Escuto de várias bocas petistas a afirmação de que não há um palanque montado para a companheira Estela, para mãe Dilma de Painho.

Mentira. Todo mundo sabe que a ministra está no palanque há mais de um ano, e está ao lado de Painho. Tanto sabem que a própria "mãe" já admitiu o fato. Mas mesmo essa descarada mentira pode receber uma necessária e sofisticada maquiagem para tentar fazer a trolha nos descer garganta a baixo. Para os mais metidos a besta a coisa soa como uma ofensa, um achincalhe à inteligência.

Mas não é só a lógica, a ética entre os políticos também não funciona da mesma forma que a ética dos comuns dos mortais. Tudo o que é considerado procedimento condenável na vida dos comuns dos mortais, não o é, necessariamente, considerado da mesma forma no mundo "deles", no mundo dos políticos.

Está aí o senador Jarbas Vasconcelos que não me deixa mentir.

domingo, fevereiro 15, 2009

Contradições da Democracia

Qual a melhor política: a que garante um país melhor no futuro ou a que garante a reeleição nas próximas eleições? Governa-se para melhorar a vida do povo ou se concede benécies a esse mesmo povo para garantir o voto e a próxima reeleição? Esse é um dos dilemas da democracia, o chamado melhor regime entre os piores, sempre agravado, é claro!, quando o povo detentor do poder de votar é pouco instruído.

Como provar que, muitas vezes, uma medida aparentemente benéfica é só uma forma de manter o povo tutelado e sob controle? Como retirar uma benécie ou impor uma restrição sem ser antipopular? Qual partido assume o poder e passa a pensar numa política para dirigir um estado e não uma forma de continuar no poder?

Dizem que uma boa gestão é garantia para a reeleição. Pode ser, desde que o povo entenda que, muitas vezes, a medida impopular é que vai garantir o futuro da nação e, por via de consequencia, o das próximas gerações.

Mas podemos condenar os egoístas e os imediatistas? Quem ainda acredita nessa promessa infinita de um país do futuro?

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

O Policial e o Juiz de Futebol

São profissões diferentes e que lidam com fatos diferentes. Ambos necessitam de bom senso e do poder de decidir acertadamente em muito pouco tempo. Os resultados decorrentes de seus erros são catastróficos: o erro de julgamento de um juiz de futebol pode determinar que um dos times perderá a partida, o campeonato; o policial ao errar poderá tirar a vida de um inocente.

Ninguém gosta quando seu time perde e menos ainda quando algum ente querido morre. O árbitro tem que analisar o lance em frações de segundo e dar o seu veredito: foi penalidade máxima ou não? O policial conta com a mesma fração de segundo para ver a arma na mão do marginal e decidir se cabe a legitíma defesa ou não. Seu veredito normalmente tem o poder de decretar a morte de um dos dois: a do marginal ou a do policial.

As partidas de futebol são transmitidas pela televisão e geram gravações que servem para posterior checagem do acerto do árbitro. Depois, como é comum, vários "entendidos" se unem para analisar - após reiterados "replays" do lance - se o juiz acertou ou não. As operações policiais, na sua maioria, não possuem testemunhas oculares nem gravações.

Recebi há algum tempo um email de um amigo da polícia norte-americana onde se pode assistir a uma cena em que um policial rende um suspeito. O suspeito começou uma ação com a intenção de colocar a arma com a mão esquerda no chão. Repentinamente o suspeito é atingido por vários disparos vindo de um outro policial colocado às suas costas.

A sensação inicial é de que os tiros foram precipitados e desnecessários. Olhando a cena em detalhes entretanto, é possível perceber que, enquanto com uma das mãos faz o gesto para depositar a arma, com a outra o suspeito saca outra arma colocada nas costas. Se o trabalho não fosse em equipe, se o outro policial não tivesse percebido o gesto, seu parceiro estaria morto.

Na vida real não tem replay. 

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ter e Não Ter

Nem tudo é preciso ter para ser feliz. Muitas vezes o fato de não ter é suficiente. Parece óbvio, mas o difícil é perceber a importância de alguma na sua ausência. Dentre o mais sensível podemos citar a dor. Ninguém valoriza o fato de não ter uma dor até o momento em que passa a ter uma dor de dente num final de semana (essas coisas sempre acontecem nos fins de semana!).

Outra coisa simples é o silêncio. Eu costumo trabalhar enquanto escuto rádio, ou a televisão. Muitas vezes, depois de algum tempo, o ruído de certas músicas, dos programas, comerciais, etc, irritam de uma forma absurda sem que você perceba, até o momento em que você pressiona o botão e desliga a fonte de ruído. O silêncio que reina depois é de ouro!

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Indio não quer só terra, índio quer estado

Os índios da etnia Tembé abandonaram o Fórum Social Mundial em Belém/PA. Os indígenas alegaram que não encontraram eco para suas reivindicações e que as acomodações no local do evento não eram das melhores. Reclamaram, ainda, da falta de interlocutores para tratarem da "falta de investimento estatal nas aldeias".

Reclamaram da lona que os abrigou nas barracas no fórum, reclamaram do grande calor, da falta de qualidade da comida oferecida e da falta de investimento dos governos em saúde e educação nas comunidades indígenas. Como se vê, dentro do espírito do fórum, índios não querem só demarcações de terra, índios também querem um estado presente.

Interessante posição e que se contrapõe aos defensores do purismo no tratamento as comunidades silvícolas. Se engana quem pensa que os índios desejam grandes reservas de terras para continuarem vivendo segundo as suas melhores tradições milenares. Os índios também querem Mobral, Faculdade de Direito e INSS.

Afinal, quem não gosta de um estado "painho" que supra todas as suas necessidades?

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Gotas Preciosas

Gotas Preciosas era (ou ainda é) o nome de um medicamento fitoterápico fabricado pelo Laboratório Hertz de Porto Alegre/RS. O nome do produto é uma grande sacada: associa aquela ideia de que “os grandes perfumes vem em pequenos frascos” com a ideia de “precioso” - coisa de valor e útil, de grande importância.

Se fosse para escolher um antônimo para a expressão eu optaria por “aos baldes”, para dar aideia de alguma coisa que se obtém em grande quantidade e, por isso mesmo, sem um grande valor. Eu usaria a ideia de balde para se contrapor à de gota.

Vivemos numa época em que as notícias não vem em gotas, mas em baldes, pela necessidade de preencher a pauta dos noticiários com material jornalístico. Não sou jornalista, nem ao menos conheço a matéria, mas acompanhando qualquer espécie de jornal noto que o conceito do que seja matéria jornalística anda muito amplo.

Jornais televisivos e que permanecem 24 horas no ar, são obrigados a “cavar” notícias para os noticiários que se repetem a cada hora. Não existem fatos, mesmo transpondo todas as barreiras geográficas, que dê conta do recado. Resultado: um garoto que se perdeu da mãe num shoping doCazaquistão vira manchete aqui.

São milhões - e são literalmente milhões! - de sites na Internet se encarregam de espalhar as notícias ao redor do mundo. Hoje o que acontece no bairro, na rua já vira notícia instantaneamente e, não demorará muito , para que os acontecimentos de cada casa também se tornarem.

A grande notícia é que as notícias perderam a relevância, qualquer fato corriqueiro - bobagens! - e trivial está parando nas manchetes. Os fatos de alguma relevância passam a ser repetidos à exaustão, as manchetes tradicionais nem se fala. Esse é o caso típico do exagero, quando o mais é acaba sendo menos.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Eu só queria entender...

Não sei se é implicância minha, falta de paciência, quem sabe? Você vai até uma locadora e aluga um filme, um DVD. E você vai porque não quer compactuar com o mercado pirata, sabe que poderia muito bem comprar num camelô o mesmo filme por menos do que irá pagar pelo valor do aluguel, sem ter que voltar a locadora para a devolução.

Você traz o filme para casa, depois das tarefas, de banho tomado, relaxa numa boa poltrona e coloca-o no aparelho de DVD. Primeiro aparece uma propaganda contra os DVDs piratas. Você não tem nada com isso, seu filme é quente. Escuta aquele papo furado, a mentira de que DVD pirata "estraga o seu aparelho", mas, enfim, tudo bem...

Depois entra um aviso em inglês, que você nem lê, já sabe que é aquele papo sobre os crimes que são cometidos e o enquadramento legal a que está sujeito quem assiste, compra, loca, empresta, etc e tal DVDs piratas, mas, enfim, o seu DVD é quente, tudo bem...

Depois entram o mesmo aviso em espanhol e português. Mais do mesmo... Depois entra um aviso em inglês dizendo que as opiniões retratadas e comentadas no filme não representam a opinião da produtora e distribuidora. Os avisos se repetem em espanhol e português. Enfim, tudo bem...

Depois começa um série de traillers, os quais você tenta passar com o controle do DVD, mas um sinal tipo de trânsito, em vermelho, indica que você é obrigado a assistir a quatro ou cinco traillers. Enfim, você manda tudo a merda, desliga o aparelho e, irritado, vai dormir...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

A verdade e os números

Como entender os números da nossa economia? Nunca vi tão confusa e - parece - intencionalmente manipulada profusão de números estatísticos! Não devo ser o único que li uma grande quantidade de manchetes informando sobre uma crescente e preocupante desaceleração industrial no país com reflexos imediatos no emprego.  

Noticiava-se preocupantes sinais da chegada da crise econômica mundial ao país, de sucessivas demissões na indústria e no setor de serviços, como se lia, por exemplo, numa das várias manchetes do dia 20.01.2009: "Aumenta desemprego no Brasil - Foi o pior resultado dos últimos 10 anos. Em Dezembro, 654 mil trabalhadores perderam o emprego no país. Mais de 40% das demissões foram na indústria".

Compare agora com a manchete publicada hoje - 22.01.2009 -, dois dias depois da anterior: "Desemprego em Dezembro foi o menor desde 2002, diz o IBGE". E aí? Com que manchete ficamos? Qual das duas é a notícia mentirosa? Não há lógica que possa sustentar que essas duas informações possam ser verdadeiras, ou há?

Segundo os "entendidos" não há contradição, mas uma simples divergência no método de avaliação do desemprego. Ah é! Achei que o número de desempregados refletisse o número de trabalhadores que perderam os seus empregos, ou há entendimento diferente desse?

Querem saber? Eu acho que há uma má fé explicita, que há uma clara intenção de mascarar a gravidade da crise, um número para justificar o resfriado de mãe Dilma e a marolinha do Luiz Inácio, um forma de enganar o povo ocultando uma notícia ruim.

Aliás, depois de vários atritos entre o governo e o IBGE, parece que a paz foi obtida mediante a submissão do teimoso Instituto e seus números desagradáveis. Como dizem os defensores dos regimes autoritários: "se a realidade desmente a nossa verdade, pior para a realidade".

Eu digo, parafraseando Galileu Galilei: "Eppur se muove!"

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Yes, We can almost everything

Essa nova onda, a Obamania, que vem exaltando um futuro governo norte-americano e que até o momento - e como era o esperado - só está tratando de formar a sua equipe administrativa, é mais fruto do esgotamento e da aversão crescente ao atual governo de George Bush do que qualquer mudança efetiva que tenha ocorrido.

Esse excesso de expectativa no sucesso - ou a urgência desse sucesso - do futuro governo aumenta muito a pressão sobre Obama, apressando a adoção de medidas corretivas nos dois principais problemas que o país vem enfrentando: os desvios na política econômica e na política de relações internacionais do país.

Embora o bom senso recomende que não se deve esperar milagre de quem não é santo, nessas horas de crise todos tendem a esquecer os mandamentos da razão e do juízo. Depositando fundadas e infundadas esperanças numa mudança mágica, norte-americanos e não ianques esperam por São Barack.

Dizem que quanto maior o pedestal, maior o tombo. Se a responsabilidade ao erigir tão alto grau de espectativa não é só de Obama, o seu lema vitorioso, o positivismo contido no "Yes, We can!" acendeu o desejo e acenou para o povo com a possibilidade de que tudo é possível. Acreditar na impossibilidade do impossível é o primeiro passo para a decepção.

Uma outra face da moeda é a realidade de que nem tudo é possível a um presidente, isso porque, independente da sua vontade, existem forças maiores e mais fortes do que o poder presidencial. Querer não acreditar nisso é acreditar em contos de fadas. São famosos os fracassos e os desastres dos presidentes que quiseram mandar mais do que podiam ou deveriam...

Todos anseiam e esperam pelas mudanças, mas o próprio Obama já tem alertado que "nem tudo será fácil, nem tudo será imediato, só bastou afirmar o óbvio, nem tudo será possível. Seu verdadeiro lema deveria ser "Yes, We can almost everything!".

terça-feira, janeiro 13, 2009

Quatro Temas

Quatro temas:

1. O álcool

O álcool é a principal e mais fatal das drogas. Qual é afinal o motivo para se ingerir álcool? O mesmo que leva ao consumo das demais drogas: alterar o estado mental do usuário, sair do estado de consciência plena: o calmo fica agitado, o manso fica valente, o tímido fica ousado.

A verdade é que são pessoas que não sabem se divertir, ou que não conseguem se divertir enquanto são o que são, enquanto têm consciência, precisam de uma muleta química para saírem de si. O álcool (ou outra droga) funciona como se fosse uma fantasia, uma máscara que passa a encobrir e esconder o personagem real.

Ninguém se atreve a combater essa poderosa indústria, há muito dinheiro envolvido, muitos interesses. Agora mesmo, há pouco, quando da aplicação da lei seca - que impede o consumo de álcool por quem pretende dirigir - já se sentiu a grande dificuldade de se retirar o álcool dos locais de venda nas estradas.

Qual o grande evento dirigido aos jovens que abre mão do patrocínio dos fabricantes de bebidas alcoólicas? Que espécie de adultos estarão sendo formados com base nesse tipo de formação?


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2. Hipocrisia

Assisto a várias personalidades do meio artístico pregando uma moral de cueca. Reclamam de haveres e procederes do "povo", como se eles próprios fossem exemplos de bom comportamento.

Qualquer um que convive - ou já conviveu - com o meio artístico sabe que quase 100% deles fazem - ou já fizeram - uso de alguma espécie de droga. Droga essa que financia todos os outros crimes - que eles enchem a boca para criticar.

Gente que fala em seriedade e em comportamento ético e que vive da exploração de "jabás"; gente que é "comprada", recomenda e dá "aval de qualidade" para aquilo ou para quem paga para receber esse aval.

Imprensa que não critíca de acordo com a sua consciência, mas garantindo que não ofenda patrocínios recebidos e nem prejudique os interesses do departamento comercial das empresas onde trabalham.

Gente que não pode criticar o governo porque recebe gordas verbas  publicitárias desse mesmo governo, um dos maiores anunciantes do mercado anunciante. Governo que usa o dinheiro do povo para comprar consciências e tornar esse mesmo povo cativo e manso.

Como acreditar nesse tipo de gente?

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3. Das democracias

Dizem que a democracia é o que há de melhor no pior. Explico: nenhum sistema político é bom, mas a democracia é a melhor escolha entre o que há de pior. E tudo tem a ver com a qualidade da maioria que se encontra representada no poder. Se você tiver a sorte de conviver com uma maioria esclarecida, menos mal!

Imaginem alguém que não goste de futebol, carnaval, samba, futebol, televisão, axé, novela e presidentes torneiros-mecânicos, como se sentiria representado nesse país? Ou, na outra ponta, imaginem alguém que goste de música clássica, balé, teatro, filmes clássicos e presidentes com educação escolar?

A maioria responderia que tal individuo está deslocado, que não deveria pertencer - ao menos culturalmente - ou viver no Brasil que nós conhecemos. Tudo bem, mas isso não seria negar a possibilidade de que o povo possa evoluir? Não seria desacreditar nesse sempre anunciado e propalado - e nunca igualado! - Pais do Futuro?

Se é verdade que não há alternativa, como ficam os que dizem que a solução do país está na educação? Vamos ter que nos conformar com a barbárie? Quem sabe voltar - num processo involutivo - ao tempo das cavernas?

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4. A grande caminhada

O ano era 1993 e eu a mulher e os filhos estávamos visitando a Cidade Eterna. Resolvemos visitar o Foro Romano, um local imenso, cercado, no centro de Roma. Estacionei o carro num local disponível junto ao muro e fomos procurar a entrada.

Era na parte da tarde e o calor - caldo - imperava na cidade, estava fazendo 42 graus centígrados! Se você parar junto a um muro de uma grande área cercada, é certo que, se for margeando o muro, encontrará fatalmente a sua entrada.

O problema é escolher o lado certo. Imagine que essa área tenha, digamos dois quilômetros de circunferência e você tenha parado a 100 metros do portão. Se optar pelo lado certo caminhará os 100 metros. Se escolher o errado a caminhada será de 1900 metros!

Pois, contrariando a opinião da maioria, eu escolhi o lado errado. Até hoje sou cobrado por essa "sábia" decisão!